quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ritos de passagem


Nunca fui muito de crer no tempo como remédio, nunca achei que o tempo pudesse mudar coisa alguma numa convicção, o tempo em si, não. Mas acontece que o tempo tem sua sabedoria mesmo. O tempo é aquela distancia que o pintor toma quando quer ter a panorâmica de sua obra. O tempo ri dos apressados, o tempo é um sábio que se cala ante a histeria imediatista de muitos de nós. E é na passagem do tempo que se configuram os ritos de iniciação. Mas o tempo também tem sua agenda, suas horas marcadas e é ai que as vezes a confusão se instala pois muitos de nós não consegue precisar a distinção entre dar tempo ao tempo (quando estamos confusos ou o clima é desfavorável) e agir à hora certa quando as configurações astrais estão ao seu favor. A lógica da espera não é esperar anacronicamente, indefinidamente. A sabia espera é aquela que consegue visualizar a agenda do tempo e ver que naturalmente há coisas que são para o próximo instante, umas que são para amanhã, outras para daqui alguns anos e algumas que não conseguiram marcar hora com o Cronus ainda.

Aprender a lidar com o tempo é saber colher o instante maduro, nem verde, nem tardiamente, desfrutando assim dos ritos de passagem, amadurêcencia.

2 comentários:

Vina TorTO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vina TorTO disse...

Belissima analise meu querido Edizero.

A grande sacada ao lidar com o tempo é a gente encontrar essa intersecção dele, ou seja, visualizar a agenda do tempo, sua natureza racional, organizada, projetada e focada e aceitar ao mesmo tempo as imprevisibilidades dele. É isso: o tempo se encontra em meio a dois universos. Um universo é de natureza fluida e o outro é de natureza esquemática. Lidar com o balancear dessas duas perspectivas é um jogo de crescimento, uma vez que aprenderemos a jogar com as diversas possibilidades, mas também é um jogo de perda pois não mais aceitaremos e nem acreditaremos em enxergar o tempo como algo capaz de nos garantir a nossa incansável plenitude. Cabe a nós exercitarmos o que eu chamo de postura torta e sabermos que a perfeição temporal é justamente tudo aquilo não se completa.

www.movimentotorto.com