Sempre relacionamos amadurecer com a idéia de agir sensatamente, como adulto, ante os desafios da vida. Discordo e veementemente. Amadurecer não é isso, não. Amadurecer é sintonizar-se com a vida, é entender que nenhum instante é igual ao outro e que cada situação nos inspira uma reação peculiar. Assim, podemos agir como criança aqui, como adolescente ali e como adulto em determinadas situações (porque os adultos são os mais chatos mesmo). Amadurecer é quebrar os nossos laços com inúmeros padrões pré-programados. Amadurecer é, principalmente, ser capaz de ver com os próprios olhos. Sempre! É agir e reagir de acordo com os nossos próprios valores e não sob os critérios das expectativas alheias. Todos dizem, em uníssono, não gostar de falsidade, MAS a maioria se frustra ante reações distintas das esperadas quando alguém não usa as palavras e reações previstas. Existem "obrigados" e elogios falsos também. Não! Ser seguidor do previsível não é amadurecer. A amadurecência se apóia nos princípios da espontaneidade e imprevisibilidade da vida, no respeito às diferenças interpessoais. Amadurecer é suportar sanções sociais em nome das próprias concepções. É aceitar o tapa na cara de idéias contrarias às suas e deixar o duelo ideológico se instalar no seu entendimento até que a resposta mais sensata venha à tona mesmo que esta não seja a que te agrada. A amadurecência é um estado que se conquista e que sobretudo precisa ser mantido. Podemos ter sido pessoas maduras no passado e hoje não o sermos mais! Por que? Porque podemos desleixar e não limpar mais as portas da nossa percepção. Porque podemos desaprender valores que não colocamos mais em prática e ai começamos a recorrer a métodos de sobrevivência porque agora somos pobres infelizes que perderam o tato ludibriados pela vertigem do fulgor de algum mérito paralisante. Assim, é possível amadurecer varias vezes numa mesma vida! Ou nunca amadurecer! Ou ser sempre maduro!
terça-feira, 10 de maio de 2011
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