quinta-feira, 13 de janeiro de 2011


Vou pra um pitstop em Pernanbuco, volto la pra sábado ou domingo, tava precisando mesmo. Vai ser legal refletir de longe. Eu evoquei os ciclones e as avalanches em minha vida e essa calmaria de agora da até medo rs Mas quem sabe, né...No fim posso acabar tendo a surpresa de saber que ... Enfim. Que seja como for...
7 dias hoje sem beber e sem fumar. Aleluia, irmão. Mas aconteceu alguma coisa, sempre acontece alguma coisa rs.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ritos de passagem


Nunca fui muito de crer no tempo como remédio, nunca achei que o tempo pudesse mudar coisa alguma numa convicção, o tempo em si, não. Mas acontece que o tempo tem sua sabedoria mesmo. O tempo é aquela distancia que o pintor toma quando quer ter a panorâmica de sua obra. O tempo ri dos apressados, o tempo é um sábio que se cala ante a histeria imediatista de muitos de nós. E é na passagem do tempo que se configuram os ritos de iniciação. Mas o tempo também tem sua agenda, suas horas marcadas e é ai que as vezes a confusão se instala pois muitos de nós não consegue precisar a distinção entre dar tempo ao tempo (quando estamos confusos ou o clima é desfavorável) e agir à hora certa quando as configurações astrais estão ao seu favor. A lógica da espera não é esperar anacronicamente, indefinidamente. A sabia espera é aquela que consegue visualizar a agenda do tempo e ver que naturalmente há coisas que são para o próximo instante, umas que são para amanhã, outras para daqui alguns anos e algumas que não conseguiram marcar hora com o Cronus ainda.

Aprender a lidar com o tempo é saber colher o instante maduro, nem verde, nem tardiamente, desfrutando assim dos ritos de passagem, amadurêcencia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011










Quero os teus passos na minha calçada...Madrugada...

A eminência de chegar...

E as outras eminências também não serão negadas...

E as outras eminências encontrarão as duas portas abertas: a da casa e a do coração.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os dias normais - Capitulo I










Fora, a chuva desaba nas ruas tal um berro celeste de enxotamento, expulsando todos os pés do asfalto. Como se ornamentasse e purificasse com seus pingos espessos o território de um eminente avatar. E na busca por abrigo, a comunhão involuntária. Seres que não se conhecem vão comprimindo o vazio sob as marquises e toldos, desembaçando as micas dos relógios e estipulando atrasos, reformulando itinerários, atividades... Chuva forte. Sob a marquise de um edifício em construção Dirceu considera a longevidade da chuva e a lanchonete do outro lado da rua: “Chuva longa e eu quero um café”. Além do mais a fumaça do seu Malboro não está sendo muito gentil com os pulmões da criança ao seu lado. Em quatro lentos saltos alcança o outro lado da rua, sob o toldo da lanchonete as pessoas abrem-lhe caminho. No balcão pede um café e um pastel de frango e finalmente ocupa uma mesa ao fundo; e só então nota que o seu cigarro está apagado além de um pouco molhado. Vai acender outro, mas decide esperar pelo café. E então come o pastel puro pra dar espaço a velha parceria das madrugadas, cigarro e café. Do lado de fora, na esquina, um executivo acena para um taxi protegendo a cabeça com a sua pasta. Logo uma porta se abre e antes de desaparecer auto adentro, ele da uma ultima olhada para as pessoas ao seu redor e do outro lado da rua, mas o que Dirceu realmente não entende é o fato de ter sido justamente a sua figura dentro da lanchonete que veio a chamar a atenção do ilustre senhor que sutilmente franziu a testa e o fixou por alguns segundos antes de partir. Ao que Dirceu da uma tragada e considera a figura de gravata e paletó, no primeiro instante com os olhos e no seguinte de memória, o homem se foi ao contrário das nuvens de chumbo que resolveram intensificar seus açoites pluviais. São seis horas da tarde, fim dá jornada diária, mais um dia em que Dirceu recebe a graça da vida para logo em seguida repassá-la para a usurpadora rotina de labuta exaustiva e mal recompensada. A chuva engrossa, mas ele decide ir embora de qualquer jeito, o tempo é pouco para si. O ponto de ônibus mais próximo fica a pelo menos três quadras dali, e então levanta-se, abotoa o sobretudo, paga a conta e sai pra enfrentar a pesada chuva de fim de tarde esgueirando-se pelos cantos e toldos das lojas e marquises de edifícios. A mistura de exaustão, cansaço e frio resulta numa inesperada e inusitada saudade do seu modesto ap. E só a idéia de imaginar-se diante da porta girando a chave lhe da aquele frio de ânsia na barriga e Dirceu de repente, ali sob a chuva, se apanha cantando um refrão “...o tempo agora mudou, já escureceu, é tão bom estar em casa...”. Mais uma vez a relatividade intervém ao seu favor, pois nem sentiu a demora até o ponto. E para arrematar chega ao mesmo tempo que o seu ônibus. “Nem tudo está perdido”. Dirceu consegue um assento e começa a ficar um tanto desconfiado, “o que será?”. Mas logo procura afastar esse mantra de desalento. A chuva não para e nem da sinais de que vai, Dirceu deixa o olhar saltar à vontade na selva de cimento armado, e ao cabo de um bom numero de curvas bruscas do coletivo, desce pra cumprir a ultima e breve distancia que o separa do sonho da fechadura. Acena para o porteiro e sobe as escadas, e já é possível perceber o semblante de alivio subjugar o de exaustão e lhe aflorar no rosto. Agora o sonho da fechadura esta realizado, o escuro corredor que antecede a sua porta ficou só outra vez e o modesto ap recebe as boas vindas da luz artificial, bem como a presença do seu simplório morador; sete e dez.

O poeta J.J e como eu passei no vestibular graças a sua milagrosa oração rs



Eis-me aqui na capital prestando exames vestibulares, estou hospedado numa casa de condomínio, a sensação que tenho é de uma cidade dentro de outra como no show de Truman. Cá está minha mãe tagarela como sempre, Edvan, a dona da casa, seu filho Eduardo e sua filha Juliana. Edvan é viúva, o marido faleceu num acidente de carro, está aqui também a empregada de anos, e dois amigos de Eduardo, Diego e Danilo. Está manhã fiz a primeira prova, sai com um sentido neutro dela, após o almoço acompnhei os três destinados ao Shopping, porém antes tínhamos que passar em outro condomínio e apanhar outro colega, um amigo nosso de Tobias, André, irmão de Alexandre, irmão de Artur, irmão de Adriano. No estacionamento ao descer do carro percebo uma figura sentada em um banco na sombra do edifício, é um senhor já de uma certa idade, muito falante ele, imediatamente aborda Eduardo que se dirigia ao edifício, logo eu e os outros nos juntamos aos dois, o veterano não perdeu tempo e foi logo despejando versos sequenciadamente, seqüência tão intensa que não é possível registrar aqui todas elas, ele perguntava o nome de cada um e seguia despejando versos improvisados que rimavam com o nome de cada um, ao cabo de algumas rimas ele anunciava o seu histórico:

- Eu sou o poeta J.J, tenho versos publicados na revista veja e recebo elogios em varias outras revistas e também na internet. E seguia recitando versos rimando e rindo, quase falando pelos cotovelos:

- Amor é que nem café, quando esfria ninguém quer. E daí entrou a recitar um verso em espanhol que não me é possível transcrever aqui. – meu nome é J.J, muitos senhores ricos tem inveja de mim, porém eu não os invejo, não quero riqueza material, sou primo de Castro Alves e de ****** (não lembro o nome). Sergipano de nascença e carioca de coração. A propósito, o que faz aqui, meu jovem? Perguntou-me ele.

- Vim fazer o vestibular. Respondi logo.

- Ah! Que bom, desejo-lhe boa sorte. Vou fazer uma oração para lhe ajudar. E apertou a minha mão e fez uma espécie de oração particular, mostrando-me ao fim o braço arrepiado em virtude da força da oração (segundo ele). Caso eu adentre a universidade farei questão de lhe agradecer. Quando por ventura eu lhe fazia alguma interrogação, uma suave indignação morna lhe vinha a face (perguntei-lhe se conhecia o poeta Tobias Barreto e sobre a precisão de seu nome nas revistas e na mídia) porém essa mesma expressão cuidava de agradecer o interesse e a atenção dispensada.

- Conheço sim Tobias, ensinou alemão aos alemães ( claro que estando ele bem no auge de sua empolgação eu nem pensei em lhe dizer que não era bem assim, ou talvez ele também não queria alongar a explicação, ser claro, pois ele parecia correr contra o tempo, comprimindo palavars no tempo de sua atenção, o qual sabia ele, por plena experiência, que além de curto era raro). Enfim André desceu e seguimos para o Shopping. O poeta J.J despediu-se, disse que gostava de Diego porque ele olhava dentro do olho. No Shopping Jardins me separei dos outros e fui até a livraria, vi biografias interessantíssimas: John Lennon, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Raul Seixas. Mas enfim cabei comprando um clássico de Charles Boudelaire, As Flores do mal, e então voltamos pra casa.

Aracaju, domingo, 12-01-2003

P.S Eu realmente consegui passar no vestibular