segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O poeta J.J e como eu passei no vestibular graças a sua milagrosa oração rs



Eis-me aqui na capital prestando exames vestibulares, estou hospedado numa casa de condomínio, a sensação que tenho é de uma cidade dentro de outra como no show de Truman. Cá está minha mãe tagarela como sempre, Edvan, a dona da casa, seu filho Eduardo e sua filha Juliana. Edvan é viúva, o marido faleceu num acidente de carro, está aqui também a empregada de anos, e dois amigos de Eduardo, Diego e Danilo. Está manhã fiz a primeira prova, sai com um sentido neutro dela, após o almoço acompnhei os três destinados ao Shopping, porém antes tínhamos que passar em outro condomínio e apanhar outro colega, um amigo nosso de Tobias, André, irmão de Alexandre, irmão de Artur, irmão de Adriano. No estacionamento ao descer do carro percebo uma figura sentada em um banco na sombra do edifício, é um senhor já de uma certa idade, muito falante ele, imediatamente aborda Eduardo que se dirigia ao edifício, logo eu e os outros nos juntamos aos dois, o veterano não perdeu tempo e foi logo despejando versos sequenciadamente, seqüência tão intensa que não é possível registrar aqui todas elas, ele perguntava o nome de cada um e seguia despejando versos improvisados que rimavam com o nome de cada um, ao cabo de algumas rimas ele anunciava o seu histórico:

- Eu sou o poeta J.J, tenho versos publicados na revista veja e recebo elogios em varias outras revistas e também na internet. E seguia recitando versos rimando e rindo, quase falando pelos cotovelos:

- Amor é que nem café, quando esfria ninguém quer. E daí entrou a recitar um verso em espanhol que não me é possível transcrever aqui. – meu nome é J.J, muitos senhores ricos tem inveja de mim, porém eu não os invejo, não quero riqueza material, sou primo de Castro Alves e de ****** (não lembro o nome). Sergipano de nascença e carioca de coração. A propósito, o que faz aqui, meu jovem? Perguntou-me ele.

- Vim fazer o vestibular. Respondi logo.

- Ah! Que bom, desejo-lhe boa sorte. Vou fazer uma oração para lhe ajudar. E apertou a minha mão e fez uma espécie de oração particular, mostrando-me ao fim o braço arrepiado em virtude da força da oração (segundo ele). Caso eu adentre a universidade farei questão de lhe agradecer. Quando por ventura eu lhe fazia alguma interrogação, uma suave indignação morna lhe vinha a face (perguntei-lhe se conhecia o poeta Tobias Barreto e sobre a precisão de seu nome nas revistas e na mídia) porém essa mesma expressão cuidava de agradecer o interesse e a atenção dispensada.

- Conheço sim Tobias, ensinou alemão aos alemães ( claro que estando ele bem no auge de sua empolgação eu nem pensei em lhe dizer que não era bem assim, ou talvez ele também não queria alongar a explicação, ser claro, pois ele parecia correr contra o tempo, comprimindo palavars no tempo de sua atenção, o qual sabia ele, por plena experiência, que além de curto era raro). Enfim André desceu e seguimos para o Shopping. O poeta J.J despediu-se, disse que gostava de Diego porque ele olhava dentro do olho. No Shopping Jardins me separei dos outros e fui até a livraria, vi biografias interessantíssimas: John Lennon, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Raul Seixas. Mas enfim cabei comprando um clássico de Charles Boudelaire, As Flores do mal, e então voltamos pra casa.

Aracaju, domingo, 12-01-2003

P.S Eu realmente consegui passar no vestibular

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